Qual é a história de Dark Horse, filme do ex-presidente Jair Bolsonaro?
Roteiro da cinebiografia, cujo orçamento superou os premiados Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, vazou na internet

Em alta após o The Intercept Brasil revelar um pedido de financiamento milionário de Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro, preso em 2025 por suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes, Dark Horse, longa sobre o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, teve o seu roteiro vazado na internet.
A Rolling Stone Brasil, parceira de CineBuzz, leu o texto, assinado pelos cineastas Mark Nowrasteh e Cyrus Nowrasteh, e resume os principais pontos da cinebiografia, cujo orçamento supera os dos premiados Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, e O Agente Secreto, indicado em quatro categorias na maior premiação do cinema. Confira a seguir:
Quem é Jair Bolsonaro?
Interpretado por Jim Caviezel (Som da Liberdade), Jair Bolsonaro é apresentado como um homem “alto, bonito”, de “sorriso fácil, raciocínio rápido, fogoso e engraçado ao mesmo tempo”. Ele também é descrito como apaixonado pela família, os irmãos, as irmãs, a esposa, Michelle Bolsonaro, e os filhos, Flávio, Eduardo, Carlos e a caçula, Laura — Renan, o “filho 04”, fica de fora da história.
A história se passa durante o período de campanha pela presidência da República, em 2018, e Bolsonaro é frequentemente retratado como injustiçado, vítima de perseguição pela “mídia suja”, que supostamente insiste em atacá-lo, inventando mentiras sobre o então candidato. No entanto, ele não fica quieto e rebate os ataques, calando não apenas os jornalistas, mas também os seus adversários políticos, como Francisco Alves, a versão ficcional de Fernando Haddad, com quem disputou a presidência.

O grande plano contra Bolsonaro
Logo no início do filme, somos apresentados a Aurélio Barba, contratado para assassinar Bolsonaro. Uma alusão a Adélio Bispo, que esfaqueou o candidato à presidência em setembro de 2018 durante um evento público, o personagem é apresentado como alguém que, em seu passado, esteve envolvido com os “Socialistas Radicais”, os “Progressistas da Extrema Esquerda” (“Far Left Progressives” ou “F.L.P.”, como são referenciados no roteiro) e “até com os marxistas”, mas desistiu desse último grupo porque eles “usavam drogas demais”.
Na trama, não há mistério: ele é contratado por Tato — um personagem que, mais tarde, revela estar ligado a Lara Clarke, uma jornalista que odeia Bolsonaro com todas as suas forças — para assassinar o político. Tato, na verdade, é apenas o mediador, e diz que “eles” pagarão cinco mil reais para que Aurélio cometa o assassinato. Ele nem hesita: “Se tem um filho da puta que merece morrer, é esse desgraçado fascista”, diz o criminoso, antes de pedir para aumentar a oferta para dez mil.

Médicos lulistas e “pílulas mágicas” salvam Bolsonaro
Assim como na vida real, Bolsonaro é esfaqueado durante um comício em Juiz de Fora, em Minas Gerais, e levado às pressas ao hospital pelo filho, Carlos. De forma bastante poética, Bolsonaro pede para que encontrem quem é o responsável pela tentativa de assassinato: “Não o esfaqueador. Aquele que está segurando a faca”, diz, antes de ser encaminhado para a cirurgia.
Com o patriarca no centro cirúrgico, a família Bolsonaro se reúne para lidar com a situação, mostrando uma afeição profunda que, até o momento, era desconhecida das pessoas. Enquanto isso, a “mídia suja”, liderada por Lara Clarke, começa a espalhar fake news, dizendo que o candidato à Presidência da República teria morrido, o que deixa milhares de patriotas aos prantos.
Desacordado, mas mostrando que não esquece o seu grande adversário, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem mesmo em uma situação como essas, Bolsonaro extravasa os seus pensamentos, questionando uma decisão de seu cirurgião de usar tesouras na operação: “Ele disse tesouras? Eu já não fui cortado o suficiente? E o que eles tiraram de mim? Eles vão colocar de volta? E se essas pessoas forem todas esquerdistas? Adoradores do Lula?”, pensa o político, paranóico.
Ao fim da cirurgia, o médico vai atualizar a família sobre o status de saúde de Bolsonaro e questiona a sua esposa, Michelle Bolsonaro, se o candidato faz uso de algum medicamento regularmente. Ela diz que não, mas somos lembrados de que, em cenas anteriores, o político tem o estranho encontro com uma mulher desconhecida, que entrega comprimidos a ele e, sem saber do que se tratam, Bolsonaro os toma mesmo assim. É então que o médico diz que, provavelmente, as “pílulas mágicas” fizeram com que o político sobrevivesse.

O mandante do crime
Ao contrário do que se seguiu na vida real, Dark Horse revela um mandante da tentativa de assassinato. Ao longo do filme, acompanhamos alguns flashbacks da vida de Bolsonaro, que o colocam como um grande combatente ao tráfico de drogas, com destaque para um antigo desafeto, inicialmente apresentado como Cicatriz, um ex-marxista e traficante de drogas preso pelo capitão na década de 1980.
Mais tarde, quando Bolsonaro já está pensando em concorrer à Presidência da República, nós assistimos ao seu encontro com Paulo Pontes (Esai Morales, How to Get Away with Murder), um empresário corrupto, que o político logo desmascara como Cicatriz, apesar das cirurgias plásticas que fez para não ser identificado. Revoltado, o homem jura vingança contra Bolsonaro, dizendo que a sua carreira política seria destruída. É Paulo quem, através de Tato, contrata Aurélio Barba para executar o inimigo.

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