Música / ENTREVISTA

Em Seda de Casulo, Dora Sanches conserta um coração partido em público: “A música cura”

Aos 26 anos, a artista sul-mato-grossense acaba de lançar o seu álbum de estreia, em que fala sobre os seus amores e as suas dores com uma maturidade que vai além da sua pouca idade

Em Seda de Casulo, Dora Sanches conserta um coração partido em público: "A música cura" (Divulgação/Pedro Colla)

“Eu tinha uma paixão muito minha pela música. Eu não queria cantar para os outros, queria cantar no meu quarto”, confessa Dora Sanches. Não deu certo. No último dia 14 de maio, apenas dias antes de completar 26 anos, a artista sul-mato-grossense lançou o seu primeiro álbum, Seda de Casulo, e se permitiu compartilhar uma paixão tão íntima com o resto do mundo.

Natural de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, Dora desenvolveu a sua paixão pela música bem longe dali, quando se mudou para São Paulo aos 13 anos: “Eu não vim de uma família de músicos, então eu fui aprendendo com a vida o que era a música, o que me tocava, o que era prestigiado e por que era prestigiado”, conta à Rolling Stone Brasil, parceira de CineBuzz.

Na terra da garoa — uma cidade apelidada pela música —, a jovem conheceu novos artistas, novas bandas e se envolveu ainda mais com a sua paixão de infância. Quando foi a hora de deixar o colégio e pensar em uma carreira profissional, o seu coração continuava batendo apenas pela música, o que a levou a se formar como produtora musical.

Mas o seu lugar sempre foi no palco, não atrás dele — e o seu primeiro disco, Seda de Casulo, reflete isso: “É a transformação para algo novo. Acho que fui muitas pessoas diferentes e hoje eu me sinto muito mais madura. E é dessa metamorfose que eu falo no álbum. A primeira música se chama ‘Seda de Casulo’ e eu falo que ela existe porque realmente existe um daqui para frente. É a transformação de quem eu era para me tornar quem eu sou hoje”, explica.

“É o processo de transformação”, acrescenta Dora, corrigindo-se. “Eu não queria falar da borboleta, porque ela já é bela, ela é linda, todos sabem que ela voa, é um símbolo de beleza e liberdade. E o casulo? É aquela casquinha que fica ali, é como se fosse um meio termo entre quem eu era e quem estou me tornando agora. É o marco do início de até onde eu posso ir, musicalmente.”

Em Seda de Casulo, Dora Sanches conserta um coração partido em público: "A música cura" (Divulgação/Pedro Colla)
Em Seda de Casulo, Dora Sanches conserta um coração partido em público: “A música cura” (Divulgação/Pedro Colla)

Além da paixão de Dora pela música, íntimas também são as suas composições. Nelas, a artista usa de sua capacidade de viajar por diferentes gêneros musicais — incluindo folk, soul, reggae, R&B, MPB e pop, que compõem Seda de Casulo — para expressar os seus sentimentos mais particulares, em canções como as belíssimas “Doce Delírio” e “Ter Filhos Fortes”, que carregam uma maturidade que vai além de sua tenra idade.

“São todas histórias minhas, então era a dor de ter que matar alguém no seu coração, porque ela não cabe mais na sua vida. Ela não quer ficar com você. Há muita rejeição nesse álbum”, confessa, rindo. “Dores, esperanças, alegria. É tudo meu, tudo o que eu tinha para dizer. São coisas que eu queria dizer, mas eu não sabia como dizer para as pessoas e eu talvez tenha colocado na música como uma forma de extravasar, sabe?”

Mas Seda de Casulo não é apenas sobre sofrimento. Ao mesmo tempo em que canta sobre amar e perder, Dora também versa sobre amar a si mesmo, abraçar-se, superar e seguir em frente, como fica explícito em sua música de trabalho, “Ninguém Morre de Amor”, que fecha o álbum:

“Esse é um disco tão sofrido, com letras que falam das minhas dores, das minhas transformações, e no final eu chego brincando, falando: ‘Tá tudo bem, sabe? Vamos levar com leveza'”, justifica. “Porque a gente tem que seguir em frente, tem que acontecer algo depois de tantas ‘mortes’, dessas transformações, dessas metamorfoses, que matam muitas coisas e as deixam para trás. E ‘Ninguém Morre de Amor’ é um pop leve, alegre, gostoso. É uma brincadeira.”

“Ouvir música é muito bom. E cura, muito, ainda mais quando a gente está doente do coração”, completa.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, em São Paulo, Henrique Nascimento começou como estagiário na Veja São Paulo e passou por veículos como SBT, Exitoína, Yahoo! Brasil e UOL antes se tornar coordenador do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.