21ª edição do CineOP começa nesta semana com 135 filmes na programação
Em 2026, a Mostra de Cinema de Ouro Preto celebra a memória do cinema brasileiro, o olhar de mulheres cineastas e a reconfiguração dos arquivos

A partir de quinta-feira (25), estendendo-se até a próxima terça (30), acontece a 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, na cidade histórica de Minas Gerais. Em 2026, a programação conta com 135 filmes, de 18 estados brasileiros e seis países, em exibições que celebram a memória do cinema brasileiro, o olhar de mulheres cineastas – com direito a homenagem a Helena Solberg – e a reconfiguração dos arquivos.
Os 135 filmes são divididos em 33 longas, 4 médias e 98 curtas, que será exibidos em 42 sessões, previstas para acontecer em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com o Cine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pela plataforma www.cineop.com.br.
Entre os estados representados, destacam-se Rio de Janeiro (29 filmes), São Paulo (21), Minas Gerais (12) e Pernambuco (5), além de produções da Bahia, Paraná, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas, Goiás, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. A programação também inclui obras da Argentina, Colômbia, Uruguai, Bolívia, Estados Unidos e Alemanha.
Confira a programação do 21º CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto:
MOSTRA COMPETITIVA CONTEMPORÂNEA
Pelo segundo ano consecutivo, a CineOP realiza a Mostra Competitiva Contemporânea, intitulada “Arquivos em Questão”. A seleção reúne cinco longas-metragens em pré-estreia nacional selecionados pelos curadores Cleber Eduardo e Juliana Gusman por compartilharem o uso criativo de imagens de arquivo como elemento estruturador de novas possibilidades de linguagem, estruturação e narrativa.
- Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas (Carlos Adriano, SP): ensaio cinepoético que parte do único registro filmado do escritor Marcel Proust para refletir sobre as possibilidades e impossibilidades de adaptação de sua obra monumental.
- Apopcalipse Segundo Baby (Rafael Saar, RJ): documentário que percorre a trajetória de Baby do Brasil desde os Novos Baianos até a carreira solo.
- Universo Circular – Jocy de Oliveira (Dácio Pinheiro, RJ) apresenta o percurso artístico da compositora e pioneira da música eletrônica no país, ainda em atividade aos 90 anos.
- Irritante Prodígio (Luiza Lindner, SP) investiga os limites entre autobiografia, performance e memória ao revisitar uma infância marcada por longos períodos de internação hospitalar e psiquiátrica.
- Notas sobre um Desterro (Gustavo Castro, DF) transforma imagens registradas por uma família brasileiro-palestina na Cisjordânia em uma reflexão sobre deslocamento, colonização e violência.
MOSTRA CONTEMPORÂNEA
Os longas e curtas-metragens em pré-estreia ampliam as discussões sobre memória e trauma, como acontece em Anistia 79 (Anita Leandro, RJ), que retoma imagens realizadas durante a Conferência Internacional pela Anistia, em Roma, em 1979, e revisita reflexões sobre os crimes da ditadura militar brasileira.
Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário (Paulo Severo, RJ) recupera materiais inéditos das gravações do disco lançado em 1995 e reconstrói um período decisivo da música brasileira.
Outro artista representado nos filmes aparece em Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha (Luis Abramo e Pedro Rossi, RJ), dedicado ao realizador do clássico Viagem ao Fim do Mundo (1968) e ao seu projeto de um cinema poético e radical. As Dores do Mundo – Hyldon (Emilio Domingos e Felipe David Rodrigues, RJ) e Vivo 76 (Lírio Ferreira, PE) completam a seleção.
MOSTRA HISTÓRICA E HOMENAGEM
A seleção reúne obras representativas, como Feminino Plural (Vera de Figueiredo, RJ), lançado em 1976; Mar de Rosas (Ana Carolina, RJ, 1977); Que Bom Te Ver Viva (Lucia Murat, RJ, 1989), que articula depoimentos de ex-presas políticas e ficção para refletir sobre as marcas da ditadura; Um Céu de Estrelas (Tata Amaral, SP, 1996), drama de violência doméstica concentrado em uma única noite; e Um Dia com Jerusa (Viviane Ferreira, SP, 2020).
A homenagem da 21a CineOP é para a cineasta Helena Solberg, cuja filmografia também ganha destaque. A sessão de abertura, na noite de 25 de junho, apresenta A Entrevista (1966), considerado um marco do cinema feminista brasileiro, e “Meio Dia” (1970). Entre os títulos programados na homenagem, está Carmen Miranda: Bananas Is My Business (1995), que procura devolver complexidade à imagem da artista brasileira internacionalizada por Hollywood.
Confira a programação completa do 21º CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que acontece entre os dias 25 e 30 de junho, clicando aqui.
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